quinta-feira, 7 de julho de 2011

Grandes editores criticam coleção de alta- costura da Dior

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                                                            Bill Gaytten ao fim do desfile da Dior
Nesta segunda-feira (04.07) a temporada de alta-costura em Paris começou com destaque para o desfile da Christian Dior. A coleção dividiu opiniões e chegou a arrancar críticas duras de grandes editores, que questionaram até a postura da marca em decidir não pular esta temporada. Esta foi a primeira coleção apresentada sem a assinatura de Galliano e, ao que parece, a mesma imprensa que o condenou agora sente a sua falta.

Quem entrou para colher os aplausos ao final do desfile foi Bill Gaytten, ex-assistente de Galliano e que já foi confirmado como o novo diretor criativo da John Galliano. Ele ainda não está oficialmente contratado na Dior, mas teve carta branca para fazer o que quisesse, além de dispor de uma das melhores equipes da moda.
A editora de moda do “Financial Times”, Vanessa Friedman, afirmou em sua coluna que o episódio é uma boa forma de descrever a necessidade de uma marca em ter um designer de verdade à frente. “Ou mais especificamente, uma pessoa que dê o ponto de vista, uma ideia sobre o que exatamente está sendo feito e por quê”, escreveu. Para Vanessa, a Dior poderia facilmente ter ficado fora desta temporada de alta-costura, e todos teriam entendido, “o que me faz pensar por que eles não fizeram isso”, pondera. Para Vanessa, que chegou a chamar a coleção de  “desastre”, a única resposta que realmente faz sentido é a de que os dirigentes da Dior acreditam que toda marca precisa de  “alguém que sirva de ponte” entre designers de sucesso, que limpe as memórias dos consumidores e os preparem para receber uma nova pessoa de grandes ideias”. “Fazendo uma bagunça na alta-costura, a Dior pode sim estar trilhando um caminho entre Galliano e quem quer que venha depois”, concluiu.
dior1Looks Dior por Bil Gaytten
O jornalista Tim Blanks escreveu para o “Style.com” que este desfile representava a realização de um sonho para Bill Gaytten, que por anos foi assistente de Galliano, mas de repente, por força do destino, teve de tomar o papel principal na marca. Mas o resultado, segundo Blanks, não foi bom. “O desfile mostrou que houve um esforço para impressionar em uma estética que, bem ou mal, é uma das mais claramente definidas da indústria da moda”.
Já a ácida editora de moda do “New York Times”, Cathy Horyn, foi mais dura em sua crítica. “As coisas devem ter sido bem estranhas nesses dias na Dior, julgando pelo desfile de alta-costura que acabamos de ver no Museu Rodin”, disse na abertura de sua coluna. “Todo tipo de vibrações estranhas, com a falta de um designer líder, conseguiu transparecer nas roupas”.
Diferentemente de Vanessa Friedman, Cathy afirmou que era impensável que a Dior deixasse de levar a coleção para a passarela. “A Dior tem outros produtos para promover, como a linha de joias finas”, assinalou, e se mostrou surpresa que a casa tenha dado tanto espaço a Bill Gaytten. “Eu o conheço há uma década e ele é forte na modelagem. Gosto dele, ele é um fofo, mas não é um designer”, afirma. Ui!
dior2A coleção foi muito criticada
“A coleção apresentada hoje, com formas da arquitetura moderna como referência (só isso explicaria os cubos e esferas nos cabelos das modelos), foi uma bagunça”, continua Cathy. Ela chegou a perguntar a Bill Gaytten no backstage se ele queria o trabalho de diretor criativo da marca, ao que ele respondeu: “claro que quero, não sou bobo”.
Cathy destacou que a maison teve quatro designers desde a morte de Christian Dior: Yves Saint Laurent, Marc Bohan, Gianfranco Ferre e John Galliano. “Se a Dior é uma casa histórica, um pedaço da história da França, ela precisa achar um designer que consiga criar uma visão estética para a próxima década ou mais. E então, precisam deixar esta pessoa fazer seu trabalho com todo o suporte”, acredita a colunista.
E você o que achou da coleção da Dior comandada por Bill Gaytten?

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